quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Quem deu sonífero para o gigante?

          #Manifestações #Protesto #Vandalismo #oGiganteAcordou #AcordaBrasil #NãoÉpor20Centavos #ForaFifa #PEC 37não #VemPraRua #ChegaDeCorrupção... estas foram as frases, hashtags e palavras de ordem que mais foram ouvidas, escritas e faladas no mês de junho deste ano, no Brasil. Não consigo acreditar e, tampouco, parar de me emocionar com o engajamento que a sociedade mostrou via internet, passeatas e em conversas em locais públicos. Também não consigo parar de me surpreender com as pessoas que sempre se disseram engajadas e incomodadas com a realidade, e não aproveitaram essa oportunidade para se fazer ouvir. Por outro lado, houve pessoas que eu jamais imaginaria que poderiam estar ao meu lado, na rua, gritando e cantando em prol de um país mais justo! É muito legal saber que essas pessoas estão tão incomodadas quanto eu!
          Infelizmente, concomitante e paralelamente a todas essas manifestações que temos visto, há o grupo que tenta apagar a chama que se acendeu nas multidões. E para minha surpresa, não é só a mídia com seu rabo preso às grandes empresas e seu dinheiro, é também a elite pensante do nosso país. De repente, muitos dos meus “exemplos de militância política” começaram a escrever em redes sociais sua opinião sobre as manifestações. Li que tudo esta muito desorganizado, que não há reivindicação definida e clara, e que isso não é a maneira correta de se fazer ouvir. Li que as verdadeiras ou corretas manifestações se fazem em partidos, que eles é quem sempre estiveram à frente das lutas sociais... li que se o “gigante acordou para fazer o que esta fazendo, era melhor ele voltar a dormir!”.
          Como escrevi no facebook no dia 25 de junho deste ano:
Corrijam-me se estiver errado: hoje posso ver porque as coisas no Brasil não andam. Sempre que se faz algo, logo a elite (que se diz pensante) se pronuncia dizendo que esta tudo errado (não há organização, não podemos ser a-partidários, o povo não sabe protestar, isso não é protesto, etc.). Eu, ao contrário, me emocionei ao ver a quantidade de pessoas envolvidas em alguma coisa (qualquer que fosse) indo para a rua ou se manifestando nas redes sociais. Não me interessa se as pessoas estão protestando contra a PEC37, contra a tarifa, ou contra a corrupção... O importante é que centenas de milhares de pessoas saíram para a rua e se mostraram inconformadas! E foram pra rua, cantar, pintar a cara e levar cartazes expressando as causas da sua luta. E ao que me parece, foram ouvidos...
          Portanto, por que não enxergar tudo isso que esta acontecendo no Brasil, como um avanço? Por que querer medir grau de participação política? Por que querer dar lição de moral para um povo que não sabe ler, mas sabe que esta sendo prejudicado e roubado... E nem por isso ficou calado!
          Sim, o gigante acordou! Levantou-se da cama e foi para a rua mostrar a sua cara!
       Porra, teóricos, aproveitem o momento para colocar tudo aquilo que você escreve nos seus livros em prática. Tire a bunda da frente do seu computador  e mobilize, da maneira que você achar conveniente, em prol de alguma coisa! E se for só para criticar, continue o fazendo em seus livros... e não dê “calmante” para a multidão!”.
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          Posso estar errado em pensar assim, mas foi exatamente o inicio da presença dos partidos políticos nas manifestações que me tirou o animo de sair novamente às ruas. Esses empresários capitalistas disfarçados de reivindicadores do interesse público se aproveitaram da visibilidade das manifestações para aparecerem e parecerem preocupados com as reivindicações do povo. Na Revista Veja de junho/2013, na seção “Carta ao Leitor”, lia-se: “Na Avenida Paulista, o coração de São Paulo, a mesma rejeição foi dirigida a petistas tarefeiros que, obedientes ao chamamento da direção nacional, imaginaram poder se misturar aos demais, fingindo comungar  da indignação geral com a corrupção, a impunidade e os gastos públicos de péssima qualidade. Foram violentamente lembrados de que estão no poder. São, portanto, alvo da indignação”. E aí eu vos pergunto: Ora, se qualquer um dos partidos que lá estavam, estivessem realmente engajados pela luta do povo, porque não o fazer em reuniões fechadas com seus eleitos? Não é simples?  Sou membro de uma comissão que tem acesso aos debates para a decisão do futuro de uma entidade “x”, porque vou à rua para reivindicar alguma coisa? Eu posso falar com quem levará minhas ideias aos “cabeças”! Eles são do mesmo partido do prefeito, da presidente e até do governador, porque eles não falam com eles ou com seus representantes diretos? Estranho isso, vocês não acham? Não conheço como funciona dentro de um partido, mas posso imaginar que é mais fácil um militante falar com o prefeito ou seu assessor, do que eu.
          Mas não pensem vocês que sou contra o partidarismo, pelo contrario, acredito que para não corrermos risco de uma nova ditadura ou de uma guerra de todos contra todos, precisamos de uma tomada do poder com uma liderança, ou seja, organizada e encabeçada por alguém que realmente fará a vontade do povo.
          É disso que precisamos... Uma liderança! Assim como o foram – mesmo que momentaneamente, o Movimento do Passe Livre. Pudera eu, ser mais influente, articulado e inteligente politicamente, para tomar a frente em uma nova reivindicação do povo. Fosse contra a corrupção e as regalias dos nobres políticos brasileiros (seria um imenso prazer liderar isso!); contra a volta mascarada do ICMS; contra a violência e a complacência do Estado frente a impunidade e a desatualização de nossas leis elaboradas, talvez, na Era Mesozoica;  contra o Orçamento Impositivo que esta prestes a ser aprovado no Senado; contra o descaso com a  Saúde Pública (nesse eu participaria como delator de “esquemas” de licitação entre médicos e empresas ligadas a serviços de saúde, muito parecidos com os recém descobertos envolvendo o Metrô de São Paulo); contra o abandono da educação; contra a cobrança de impostos abusivos... a lista é imensa, com certeza!
          Ah! Se eu fosse homem...

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